Repleta de desertos imensos e planícies sem fim, a Mongólia é um país praticamente sem agricultura. Apenas 0,76% de seu território é bom para o plantio. Também tem poucos habitantes: são 2,9 milhões de pessoas, ou 1,7 por quilômetro quadrado (12 vezes menos que no Brasil). Para piorar, um antigo território, a Mongólia Interior, é controlado pela China há mais de 300 anos. É nessa região, rica em petróleo e gás natural, que fica a maior base espacial chinesa. Mas onde foi parar o grande Império Mongol, que chegou a dominar cerca de 20% da área da Terra?
Hoje, estátuas de Temujin Borgijin, o Gêngis Khan (1162-1227), estão espalhadas por todo o país. Seu rosto estampa de notas de dinheiro a garrafas de vodca. Mas o grande conquistador, que transformou um amontoado de tribos em um reino quatro vezes maior que o Império Romano, é apenas lembrança. Nos 782 anos que se passaram desde a morte de seu líder máximo, a Mongólia perdeu território e poder. Mas a decadência não foi imediata.
Dois anos após a morte de Gêngis Khan, o terceiro filho do conquistador, Ogedei (1186-1241), levou adiante a campanha de conquista: aniquilou a dinastia Jin, no nordeste da China, e tomou Moscou, a Polônia e quase toda a Hungria. Ogedei estava às portas de Viena e de Veneza, no ano 1241, quando morreu. A demora na sucessão, que só se completaria em 1246, freou o avanço na Europa. O império começou a ruir a partir de 1260, quando Ariq Boke se tornou imperador na ausência do irmão, Kublai Khan (1215-1294). O conquistador retomou o trono, mas, após sua morte, o reino se dividiu. Começou então uma série de conflitos com os chineses, que, a partir de 1644, dominariam a Mongólia até o início do século 20.
Em 1911, os mongóis recuperaram a independência. Em 1924, uma revolução comunista fez do país um satélite da União Soviética. Essa nova situação perdurou até 1990, quando a democracia foi restabelecida. O que não significa que a nação esteja perto de reviver os tempos áureos. Pelo contrário: nesses 19 anos de autonomia, a Mongólia se tornou financeiramente dependente de seu grande adversário histórico, a China.
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edição 075, outubro 2009
Babilônia.
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